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Apostas online: 20,4% dos estudantes já apostaram, diz pesquisa

ResumoA pesquisa da Frente Parlamentar Mista da Educação revela que 20,4% dos estudantes dos anos finais do fundamental e do ensino médio já realizaram apostas online. No 3º ano do ensino médio, o índice atinge 49,7%. Os dados indicam exposição significativa de adolescentes a jogos de azar virtuais, demandando atenção de escolas e políticas públicas.

Levantamento da Frente Parlamentar Mista da Educação aponta que 20,4% dos estudantes dos anos finais do fundamental e do ensino médio já fizeram apostas online. No 3º ano do ensino médio, o índice chega a 49,7%.

Dra. Heloísa Tanaka Pimentel
por Dra. Heloísa Tanaka PimentelEspecialista em tecnologia educacional e leitura digital · 09 de setembro de 2026
2 min de leitura
Apostas online: 20,4% dos estudantes já apostaram, diz pesquisa

Um em cada cinco estudantes brasileiros dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio já fez apostas online, as bets. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (9) pela Frente Parlamentar Mista da Educação, com base em levantamento feito em parceria com a Equidade.info, iniciativa que produz dados para pesquisas.

A pesquisa ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país, entre agosto e setembro deste ano, com entrevistas presenciais e questionários estruturados. O recorte mais expressivo está no 3º ano do ensino médio: 49,7% dos alunos dessa etapa afirmaram já ter apostado. Entre os meninos, o índice é de 27,8%, contra 12,6% das meninas.

Um dos dados de maior impacto é a idade de início. Pelo menos 9,5% dos estudantes com até 11 anos disseram já ter feito apostas, prática proibida para menores de idade no Brasil. No ensino médio, 41,7% dos meninos já apostaram, mais que o dobro do registrado entre os meninos do fundamental II, onde o percentual é de 19%.

O coordenador da pesquisa, Guilherme Lichand, avalia que soluções centradas exclusivamente no comportamento individual dos usuários podem ser insuficientes. Ele alerta para a tendência de culpar as pessoas e cita que as plataformas costumam sugerir lembretes sobre perdas passadas como intervenções promissoras, mas estudos científicos indicam que essas soluções não funcionam.

"Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição", destacou Lichand. Os dados também sugerem que educação financeira não tem se mostrado suficiente para prevenir a exposição, já que estudantes em escolas com maior proporção de alunos com letramento financeiro têm maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas.

A pesquisa estima que as perdas agregadas podem ultrapassar R$ 1 bilhão entre o público pesquisado. Entre as recomendações dos organizadores estão maior tributação sobre transações nas plataformas, restrições à publicidade e medidas de proteção voltadas a menores de 18 anos.

Dra. Heloísa Tanaka Pimentel

Dra. Heloísa Tanaka Pimentel

Especialista em tecnologia educacional e leitura digital

Estuda como telas mudam a leitura; equilibra papel e digital sem alarmismo.

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