Afogamentos estão entre principais causas de mortes de crianças: entenda os riscos
Afogamentos estão entre principais causas de mortes de crianças no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, em 2023, 1.152 crianças de 0 a 14 anos morreram afogadas. Entenda os fatores de risco e as medidas de prevenção baseadas em evidências.
Quando entrei na sala dos pequenos na segunda-feira, a mãe do João estava visivelmente assustada. "Professora, ele quase se afogou na piscina do clube." A cena me trouxe à memória os números que li no último relatório do Ministério da Saúde. Afogamentos estão entre principais causas de mortes de crianças no Brasil e, a cada ano, centenas de famílias vivem esse trauma.
Afogamentos estão entre principais causas de mortes de crianças no Brasil. Em 2023, 1.152 crianças de 0 a 14 anos morreram por afogamento, segundo o Ministério da Saúde. A faixa mais vulnerável é de 1 a 4 anos, com 45% dos óbitos. A prevenção exige supervisão constante, barreiras físicas em piscinas e ensino de natação a partir dos 4 anos.
Por que as crianças se afogam com tanta frequência?
Crianças pequenas não têm coordenação motora para se manter na superfície. Em menos de 30 segundos, uma criança submersa pode perder a consciência. O afogamento é silencioso, sem gritos, sem braços erguidos. Quem já viu uma cena dessas sabe: o silêncio é o pior sinal.
A maioria dos afogamentos infantis acontece em piscinas domésticas, baldes, tanques e até mesmo em banheiras. Dados do Ministério da Saúde indicam que 70% dos casos em crianças de 1 a 4 anos ocorrem em casa.
Fatores de risco que todo adulto precisa conhecer
Conhecer os fatores de risco é o primeiro passo para prevenir. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os principais são:
- Falta de supervisão direta: deixar a criança sozinha na água, mesmo por segundos
- Ausência de barreiras: piscinas sem cerca ou com portão destravado
- Idade: crianças de 1 a 4 anos são as mais vulneráveis (45% dos óbitos)
- Horário: a maioria dos acidentes ocorre entre 14h e 18h, quando os adultos se distraem
- Álcool: adultos sob efeito de álcool tendem a subestimar riscos
"A supervisão constante e atenta de um adulto é a medida mais eficaz para prevenir afogamentos em crianças pequenas" (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2023)
Como prevenir afogamentos na prática
Supervisão ativa
Não basta estar perto. É preciso olhar diretamente para a criança na água. Nada de celular, conversa paralela ou cochilo. A regra é: toque, olhe, fale. Se for preciso sair, leve a criança junto.
Barreiras físicas
Piscinas devem ter cerca de pelo menos 1,20 m de altura, com portão que fecha sozinho e tranca. Baldes e tanques devem ser esvaziados após o uso. Em casa, mantenha a tampa do vaso sanitário fechada.
Ensino de natação
A partir dos 4 anos, aulas de natação reduzem o risco de afogamento. Mas atenção: mesmo crianças que sabem nadar precisam de supervisão. Nenhuma aula substitui o olhar de um adulto.
Equipamentos de segurança
Coletes salva-vidas aprovados pela Marinha são recomendados para crianças em praias, lagos e rios. Boias de braço não são seguras, podem virar ou furar.
O que fazer em caso de afogamento?
Se encontrar uma criança submersa, aja rápido:
- Retire a criança da água imediatamente
- Verifique se ela está consciente e respirando
- Se não respirar, inicie a respiração boca a boca e massagem cardíaca
- Chame o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193)
- Não perca tempo tentando expelir água dos pulmões, o foco é ventilar
O Ministério da Saúde recomenda que todos os pais e cuidadores façam um curso básico de primeiros socorros.
Perguntas Frequentes
Qual a principal causa de afogamento infantil?
A principal causa é a falta de supervisão de um adulto. Em 70% dos casos em crianças de 1 a 4 anos, o acidente ocorre em casa, segundo o Ministério da Saúde.
Crianças que sabem nadar podem se afogar?
Sim. Saber nadar reduz o risco, mas não elimina. Crianças podem se cansar, entrar em pânico ou sofrer um mal súbito na água.
Como escolher um colete salva-vidas infantil?
O colete deve ter certificação da Marinha do Brasil, ser do tamanho adequado ao peso da criança e ter faixas refletivas. Boias de braço não são recomendadas.
O que fazer se a criança engolir muita água?
Se ela estiver consciente e tossindo, mantenha-a em observação. Se houver sonolência, dificuldade para respirar ou tosse persistente, procure um médico imediatamente.
Piscinas infláveis são seguras?
Não. Elas são instáveis e podem virar. Se for usar, esvazie completamente após o uso e nunca deixe a criança sozinha.
como ensinar crianças a nadar com segurança primeiros socorros para pais e cuidadores checklist de segurança em piscinas domésticas
Profa. Marivalda Setúbal Crispim
30 anos de sala de aula no fundamental, hoje forma professores em letramento.