# Ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis no Ideb

> O Instituto Natura e o Instituto Sonho Grande identificaram que escolas de ensino médio 100% integrais aceleram o aprendizado de estudantes vulneráveis. A análise registra ganhos de até 0,6 ponto no Ideb e 23 pontos no SAEB em matemática. O modelo integral demonstra eficácia na redução de desigualdades educacionais, com resultados mensuráveis em avaliações nacionais.

*Leitura Alimenta · Educação Infantil · 25 de agosto de 2026 · Edmundo Pacífico Sobral*

Escolas de ensino médio 100% integrais aceleram o aprendizado de estudantes vulneráveis, com ganhos de até 0,6 ponto no Ideb e 23 pontos no SAEB em matemática, aponta análise do Instituto Natura e Instituto Sonho Grande.

Os resultados do Ideb 2025 revelam um padrão claro: entre as 100 escolas de ensino médio com menor nível socioeconômico e melhor desempenho, 77 funcionam em formato 100% integral. A análise inédita, feita pelo Instituto Sonho Grande e Instituto Natura, cruza os dados do Ideb com o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) e mostra que o tempo integral supera o parcial em todos os níveis de renda.

O ganho mais expressivo aparece justamente entre os estudantes mais vulneráveis. As 1.166 escolas 100% integrais com menor nível socioeconômico (níveis II e III) registram vantagem de 0,6 ponto no Ideb em relação às 1.713 escolas parciais do mesmo nível, um desempenho 15% maior. Quando se compara o impacto da jornada ampliada entre diferentes níveis, nas escolas mais vulneráveis o efeito é quase 70% superior ao das unidades em contextos menos carentes.

Os dados do SAEB 2025 reforçam o quadro. Em matemática, alunos de escolas 100% integrais de baixo nível socioeconômico obtiveram 23 pontos a mais que os do parcial, o equivalente a 4,6 anos adicionais de aprendizado. Em língua portuguesa, o ganho foi de 21 pontos, uma aceleração de 3,2 anos de escolarização.

Maria Slemenson, superintendente de Políticas Educacionais do Instituto Natura, explica que o tempo extra permite recompor aprendizagens defasadas do ensino fundamental. "Isso só é possível porque o tempo extra é usado para dois movimentos que, em uma escola parcial, competem pelo mesmo período curto: avançar no conteúdo da série e, ao mesmo tempo, recompor o que ficou para trás", afirma.

O recorte racial também mostra vantagem. Cerca de 74% das escolas 100% integrais do país atendem maioria de estudantes pretos, pardos ou indígenas (PPIs). Onde esse público supera 80% das matrículas, a nota média do Ideb chega a 4,9 no integral, contra 4,3 no parcial.

O Instituto Natura defende que a prioridade política, e não a capacidade fiscal, explica o sucesso do modelo. O Piauí é citado como referência: único estado com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral, entre 2022 e 2025. Em 2025, as 4.235 escolas integrais (21% do total) respondem por 214 mil matrículas urbanas avaliadas, enquanto o parcial ainda concentra mais de 1 milhão de estudantes.

Para quem acompanha políticas educacionais, o dado mais relevante é a direção do impacto: o tempo integral não apenas eleva médias, mas reduz desigualdades históricas. políticas de educação integral no Brasil resultados do SAEB por nível socioeconômico

---

Fonte (canonical): https://www.leituraalimenta.com.br/educacao-infantil/ensino-integral-acelera-aprendizado-vulneraveis/
