Educação Infantil

Pisa: Brasil reduz diferença para países ricos no desempenho escolar

ResumoPisa 2025 registra redução da diferença entre o desempenho escolar do Brasil e o de países ricos em leitura, matemática e ciências. O país, porém, permanece abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas. Os dados indicam avanço relativo, mas não superação do patamar internacional de referência.

Resultados do Pisa 2025 mostram que o Brasil reduziu a distância para países ricos em leitura, matemática e ciências, mas segue abaixo da média da OCDE. Notas e análise completa.

Cleusa Marin Dahmer
por Cleusa Marin DahmerFonoaudióloga educacional e especialista em dislexia · 08 de setembro de 2026
2 min de leitura
Pisa: Brasil reduz diferença para países ricos no desempenho escolar

O Brasil segue com desempenho inferior ao de países desenvolvidos no Pisa, mas a distância diminuiu nas últimas duas décadas. Os resultados de 2025, divulgados nesta terça-feira (8) pela OCDE, mostram estabilidade em relação a 2022, com 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média dos 23 países da OCDE ficou em 466, 469 e 486, respectivamente. Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar, o que coloca o Brasil cerca de 4,6 anos atrás em matemática.

A comparação entre 2006 e 2025 revela o avanço. A diferença para a média da OCDE caiu de 102 para 58 pontos em leitura (redução de 44), de 131 para 92 em matemática (39) e de 113 para 77 em ciências (36). Em ciências, o foco desta edição, a nota subiu de 403 para 409 pontos entre 2022 e 2025, a maior evolução entre as três áreas.

O estudo envolveu 760 mil estudantes de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 alunos, sendo 72,4% de escolas estaduais e 96,9% em áreas urbanas. Cerca de 84,7% cursavam a 1ª ou 2ª série do Ensino Médio. As provas ocorreram entre abril e maio de 2025.

A recuperação pós-pandemia também foi mais rápida que a média da OCDE. Entre 2018 e 2025, o Brasil superou o desempenho pré-pandemia em ciências e teve perdas menores em leitura e matemática. No país, a aplicação é coordenada pelo Inep, autarquia ligada ao MEC.

O Pisa 2025 introduziu o domínio "Aprendizagem no Mundo Digital", com dois atributos: Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC) e Processos de Aprendizagem Autorregulada. No primeiro, o Brasil marcou 406 pontos, ante média de 500 da OCDE. A Coreia do Sul liderou com 538 pontos; o Paraguai ficou com 352.

Outro destaque: 81% dos estudantes brasileiros frequentam escolas com restrições ao uso de celulares, ante 37% em 2022 e 49% da média da OCDE. O MEC atribui o resultado à Lei nº 15.100/2025, que regula o uso de celulares na educação básica.

Os dados mostram ainda que 72% dos alunos têm interesse por diversos assuntos e 59% se esforçam mais diante de desafios. Caiu para 16% a parcela que considera a escola perda de tempo, abaixo dos 24% da OCDE. Estudantes que valorizam a educação obtêm, em média, 35 pontos a mais em ciências, ante 27 pontos da média internacional.

O que é o Pisa e como funciona a avaliação da OCDE

O Brasil participa do Pisa desde 2000, e 2025 marca o nono ciclo. Apesar de não ser membro da OCDE, o país integra o programa desde o início. Em 2022, recebeu convite formal para adesão, que depende de requisitos e aprovação dos membros.

Cleusa Marin Dahmer

Cleusa Marin Dahmer

Fonoaudióloga educacional e especialista em dislexia

Atua na interseção entre leitura e desenvolvimento; explica dificuldades de aprendizagem.

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