Ensino Superior

Brasil melhora desempenho escolar no Pisa, mas patamar é baixo

ResumoO Brasil manteve desempenho estável no Pisa 2025, enquanto a média dos países da OCDE recuou, reduzindo a distância entre o país e as nações desenvolvidas. Especialistas alertam que a aproximação não representa avanço real em aprendizagem, pois o patamar brasileiro permanece baixo e abaixo do esperado para o desenvolvimento educacional.

No Pisa 2025, o Brasil manteve resultados estáveis enquanto a média da OCDE recuou. A aproximação não significa avanço em aprendizagem, apontam especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Prof. Damião Sublime Andrade
por Prof. Damião Sublime AndradeEducador popular e articulador de bibliotecas comunitárias · 10 de setembro de 2026
3 min de leitura
Brasil melhora desempenho escolar no Pisa, mas patamar é baixo

A redução da distância entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a média dos alunos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025 não significa, necessariamente, que o Brasil tenha avançado em aprendizagem. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que a aproximação ocorreu principalmente porque o desempenho brasileiro permaneceu relativamente estável enquanto a média dos países da organização recuou, especialmente nos últimos anos.

O Pisa é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, coordenado pela OCDE, entidade que reúne 38 países. Aplicado a cada três anos, avalia conhecimentos de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Com os resultados de 2025, similares aos de 2022, o Brasil segue no grupo abaixo da média da OCDE nas três disciplinas: 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média de 23 países da OCDE ficou em 466, 469 e 486, na mesma ordem. Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar. Em matemática, o Brasil está com cerca de 4,6 anos de atraso em relação aos membros da OCDE.

A distância, no entanto, já foi bem maior. Entre 2006 e 2025, a diferença de desempenho em relação à média da OCDE diminuiu de 102 para 58 em leitura, de 131 para 92 em matemática e de 113 para 77 em ciências.

"O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem", diz Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.

Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), avalia que o Brasil melhorou no longo prazo, sobretudo em ciências e leitura, mas parte importante da aproximação ocorreu porque a média da OCDE caiu, especialmente em matemática.

Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, afirma que é positivo o Brasil não ter acompanhado a intensidade de queda observada em diversos países, mas essa estabilidade ocorre em patamar muito baixo: somente 28% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, o mínimo. "O principal desafio continua sendo transformar essa estabilidade em crescimento real da aprendizagem matemática", pondera.

Fulgêncio alerta ainda para a desigualdade socioeconômica. Em ciências, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos, quase cinco vezes o aprendizado médio associado a um ano escolar.

O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 países. O Brasil participou com 30.140 estudantes, sendo 72,4% de escolas da rede estadual e 96,9% em áreas urbanas. Cerca de 84,7% estavam na 1ª ou 2ª série do ensino médio. Nesta edição, o foco foi o letramento em ciências.

Sobre o uso de celulares, 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas com restrições aos dispositivos, contra 37% em 2022. A proporção supera a média da OCDE (49%). Segundo o MEC, o percentual está alinhado a evidências de que estudantes em escolas com esse tipo de regra apresentam menor probabilidade de relatar distrações digitais. A ocorrência da chamada "leitura apressada" quase dobrou entre 2018 e 2025, e 46% dos estudantes já usam Inteligência Artificial semanalmente ou mais para estudar.

"O grande alerta do Pisa 2025 talvez seja exatamente esse: ampliar o acesso à informação e à tecnologia não garantiu maior aprendizagem", afirma Fulgêncio.

Prof. Damião Sublime Andrade

Prof. Damião Sublime Andrade

Educador popular e articulador de bibliotecas comunitárias

Tira livro de caixa e leva leitura à periferia; conta o que a EJA ensina sobre ler.

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