Universidades federais têm até sábado para pedir cuidotecas ao MEC
Universidades federais têm até sábado (1º) para pedir cuidotecas ao MEC. A chamada UniCuidotecas seleciona até 50 campi. Veja critérios e documentos.
Universidades federais têm até sábado para pedir cuidotecas ao MEC
Eu já vi de perto o que acontece quando uma mãe não tem com quem deixar o filho para ir à aula. A cadeira vazia no fundo da sala, o semestre trancado, o sonho adiado. Por isso, quando o Ministério da Educação (MEC) abre uma chamada como a UniCuidotecas, eu presto atenção. O prazo para as universidades federais se candidatarem termina neste sábado (1º). Quem deixar para depois, fica de fora.
A Chamada Estratégica UniCuidotecas vai selecionar até 50 universidades federais para implantar espaços gratuitos de acolhimento infantil nos campi. O espaço atende crianças de 3 a 12 anos, com ou sem deficiência, no período noturno, enquanto os responsáveis, principalmente mulheres, estudam ou trabalham. Cada unidade comporta até 40 crianças simultaneamente.
O que é a cuidoteca e por que ela importa
A cuidoteca é um espaço de acolhimento dentro do campus. Filhos de estudantes, docentes, técnicos-administrativos em educação e trabalhadores terceirizados podem ficar ali durante o turno da noite. O funcionamento pode se estender a fins de semana, feriados e férias escolares.
O objetivo é direto: garantir que estudantes e funcionários tenham apoio no cuidado com os filhos para favorecer a permanência no ambiente acadêmico. Não é só conforto. É uma política de permanência.
A iniciativa é do MEC, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Integra o Plano Nacional de Cuidados do governo federal, dentro do Plano Brasil que Cuida, uma política pública de corresponsabilidade social pelo cuidado de crianças, dividida entre Estado e família.
Como enviar a proposta
As propostas devem ser enviadas exclusivamente por meio eletrônico para o endereço [email protected]. Não há outra via.
Universidades com mais de um campus precisam indicar, no ato da inscrição, apenas um local para a implantação. O critério é a maior demanda.
A papelada é extensa, e eu sei que isso assusta. Mas cada documento tem função. É preciso enviar:
- Plano de trabalho preenchido
- Termo de Compromisso assinado pela Reitoria
- Plantas arquitetônicas e registros fotográficos do espaço
- Declarações oficiais das pró-reitorias ou setores equivalentes com quantitativos de estudantes e servidores com atividades no período noturno
Recursos e limites do financiamento
As instituições selecionadas recebem recursos para implantação do espaço e custeio do funcionamento por 12 meses. Como contrapartida, a instituição precisa disponibilizar um espaço físico adequado.
O dinheiro pode ser usado em:
- Mobiliário infantil
- Equipamentos de acessibilidade e segurança
- Materiais lúdicos
- Contratação de profissionais (coordenadores, pedagogos, agentes de cuidados)
- Despesas com alimentação, limpeza e manutenção
Há um limite claro: a chamada não permite usar recursos em reformas estruturais de grande porte. Quem planejar uma obra grande, precisa buscar outra fonte.
Critérios de seleção: como o MEC vai classificar
As propostas serão classificadas por pontuação, com máxima de 100 pontos, sem caráter eliminatório. Ou seja, todas as inscritas são avaliadas, e a nota define a ordem de seleção.
Os critérios têm pesos definidos:
- Demanda comprovada: 40 pontos
- Vulnerabilidade socioeconômica dos estudantes, medida pela proporção de beneficiários do Programa Nacional de Assistência Estudantil: 20 pontos
- Cobertura regional, com prioridade para Norte e Nordeste: 25 pontos
- Infraestrutura e suporte institucional disponíveis: 15 pontos
A soma dos pesos fecha 100. Quem tem demanda alta e está no Norte ou Nordeste sai na frente. A prioridade regional não é detalhe. É desenho de política pública.
O que isso significa na prática
Eu converso com educadores populares que trabalham com mães estudantes. Muitas relatam que a noite é o único turno livre para estudar, mas não têm rede de apoio. A cuidoteca ataca exatamente esse ponto. Não é assistencialismo. É infraestrutura para que a mulher permaneça na universidade.
Um contraexemplo: uma universidade com baixa demanda noturna comprovada pode perder pontos, mesmo tendo espaço físico pronto. O edital premia quem tem gente precisando, não quem tem prédio sobrando.
Para o gestor, a leitura é objetiva. Se o campus tem atividade noturna relevante, a demanda existe. O trabalho é comprovar com números e fotos. Se não tem, a proposta provavelmente não pontua bem.
Passos práticos para o gestor
Se você atua em uma universidade federal, o caminho é:
- Levantar os quantitativos de estudantes e servidores com atividades noturnas
- Preparar plantas e fotos do espaço disponível
- Preencher o plano de trabalho
- Obter assinatura da Reitoria no Termo de Compromisso
- Enviar tudo para [email protected] até sábado (1º)
O prazo é curto. Mas a chance de estruturar um serviço que muda a vida de mães e pais estudantes vale a correria.
Perguntas Frequentes
Qual o prazo para enviar a proposta?
O prazo termina neste sábado (1º). As propostas devem ser enviadas exclusivamente por e-mail para [email protected].
Quantas universidades serão selecionadas?
A Chamada Estratégica UniCuidotecas selecionará até 50 universidades federais.
Qual a capacidade de cada cuidoteca?
Cada unidade atende até 40 crianças simultaneamente, filhos de estudantes, docentes, técnicos e terceirizados que estudam ou trabalham à noite.
Quais documentos são necessários?
Plano de trabalho, Termo de Compromisso assinado pela Reitoria, plantas arquitetônicas, registros fotográficos e declarações das pró-reitorias com quantitativos noturnos.
Os recursos podem ser usados em reformas?
Não. A chamada não permite uso de recursos em reformas estruturais de grande porte.
Como funciona a classificação?
As propostas são pontuadas até 100 pontos, sem caráter eliminatório. Os critérios são demanda (40), vulnerabilidade socioeconômica (20), cobertura regional (25) e infraestrutura (15).
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Prof. Damião Sublime Andrade
Tira livro de caixa e leva leitura à periferia; conta o que a EJA ensina sobre ler.