Ensino Superior

Universidades federais têm até sábado para pedir cuidotecas ao MEC

ResumoUniversidades federais têm até sábado (1º) para solicitar cuidotecas ao Ministério da Educação (MEC) por meio da chamada UniCuidotecas. O programa seleciona até 50 campi, com critérios e documentos específicos definidos no edital. A iniciativa visa implantar espaços de cuidado e apoio à comunidade acadêmica.

Universidades federais têm até sábado (1º) para pedir cuidotecas ao MEC. A chamada UniCuidotecas seleciona até 50 campi. Veja critérios e documentos.

Prof. Damião Sublime Andrade
por Prof. Damião Sublime AndradeEducador popular e articulador de bibliotecas comunitárias · 31 de julho de 2026
4 min de leitura
Universidades federais têm até sábado para pedir cuidotecas ao MEC

Universidades federais têm até sábado para pedir cuidotecas ao MEC

Eu já vi de perto o que acontece quando uma mãe não tem com quem deixar o filho para ir à aula. A cadeira vazia no fundo da sala, o semestre trancado, o sonho adiado. Por isso, quando o Ministério da Educação (MEC) abre uma chamada como a UniCuidotecas, eu presto atenção. O prazo para as universidades federais se candidatarem termina neste sábado (1º). Quem deixar para depois, fica de fora.

A Chamada Estratégica UniCuidotecas vai selecionar até 50 universidades federais para implantar espaços gratuitos de acolhimento infantil nos campi. O espaço atende crianças de 3 a 12 anos, com ou sem deficiência, no período noturno, enquanto os responsáveis, principalmente mulheres, estudam ou trabalham. Cada unidade comporta até 40 crianças simultaneamente.

O que é a cuidoteca e por que ela importa

A cuidoteca é um espaço de acolhimento dentro do campus. Filhos de estudantes, docentes, técnicos-administrativos em educação e trabalhadores terceirizados podem ficar ali durante o turno da noite. O funcionamento pode se estender a fins de semana, feriados e férias escolares.

O objetivo é direto: garantir que estudantes e funcionários tenham apoio no cuidado com os filhos para favorecer a permanência no ambiente acadêmico. Não é só conforto. É uma política de permanência.

A iniciativa é do MEC, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Integra o Plano Nacional de Cuidados do governo federal, dentro do Plano Brasil que Cuida, uma política pública de corresponsabilidade social pelo cuidado de crianças, dividida entre Estado e família.

Como enviar a proposta

As propostas devem ser enviadas exclusivamente por meio eletrônico para o endereço [email protected]. Não há outra via.

Universidades com mais de um campus precisam indicar, no ato da inscrição, apenas um local para a implantação. O critério é a maior demanda.

A papelada é extensa, e eu sei que isso assusta. Mas cada documento tem função. É preciso enviar:

  • Plano de trabalho preenchido
  • Termo de Compromisso assinado pela Reitoria
  • Plantas arquitetônicas e registros fotográficos do espaço
  • Declarações oficiais das pró-reitorias ou setores equivalentes com quantitativos de estudantes e servidores com atividades no período noturno

Recursos e limites do financiamento

As instituições selecionadas recebem recursos para implantação do espaço e custeio do funcionamento por 12 meses. Como contrapartida, a instituição precisa disponibilizar um espaço físico adequado.

O dinheiro pode ser usado em:

  • Mobiliário infantil
  • Equipamentos de acessibilidade e segurança
  • Materiais lúdicos
  • Contratação de profissionais (coordenadores, pedagogos, agentes de cuidados)
  • Despesas com alimentação, limpeza e manutenção

Há um limite claro: a chamada não permite usar recursos em reformas estruturais de grande porte. Quem planejar uma obra grande, precisa buscar outra fonte.

Critérios de seleção: como o MEC vai classificar

As propostas serão classificadas por pontuação, com máxima de 100 pontos, sem caráter eliminatório. Ou seja, todas as inscritas são avaliadas, e a nota define a ordem de seleção.

Os critérios têm pesos definidos:

  • Demanda comprovada: 40 pontos
  • Vulnerabilidade socioeconômica dos estudantes, medida pela proporção de beneficiários do Programa Nacional de Assistência Estudantil: 20 pontos
  • Cobertura regional, com prioridade para Norte e Nordeste: 25 pontos
  • Infraestrutura e suporte institucional disponíveis: 15 pontos

A soma dos pesos fecha 100. Quem tem demanda alta e está no Norte ou Nordeste sai na frente. A prioridade regional não é detalhe. É desenho de política pública.

O que isso significa na prática

Eu converso com educadores populares que trabalham com mães estudantes. Muitas relatam que a noite é o único turno livre para estudar, mas não têm rede de apoio. A cuidoteca ataca exatamente esse ponto. Não é assistencialismo. É infraestrutura para que a mulher permaneça na universidade.

Um contraexemplo: uma universidade com baixa demanda noturna comprovada pode perder pontos, mesmo tendo espaço físico pronto. O edital premia quem tem gente precisando, não quem tem prédio sobrando.

Para o gestor, a leitura é objetiva. Se o campus tem atividade noturna relevante, a demanda existe. O trabalho é comprovar com números e fotos. Se não tem, a proposta provavelmente não pontua bem.

Passos práticos para o gestor

Se você atua em uma universidade federal, o caminho é:

  1. Levantar os quantitativos de estudantes e servidores com atividades noturnas
  2. Preparar plantas e fotos do espaço disponível
  3. Preencher o plano de trabalho
  4. Obter assinatura da Reitoria no Termo de Compromisso
  5. Enviar tudo para [email protected] até sábado (1º)

O prazo é curto. Mas a chance de estruturar um serviço que muda a vida de mães e pais estudantes vale a correria.

Perguntas Frequentes

Qual o prazo para enviar a proposta?

O prazo termina neste sábado (1º). As propostas devem ser enviadas exclusivamente por e-mail para [email protected].

Quantas universidades serão selecionadas?

A Chamada Estratégica UniCuidotecas selecionará até 50 universidades federais.

Qual a capacidade de cada cuidoteca?

Cada unidade atende até 40 crianças simultaneamente, filhos de estudantes, docentes, técnicos e terceirizados que estudam ou trabalham à noite.

Quais documentos são necessários?

Plano de trabalho, Termo de Compromisso assinado pela Reitoria, plantas arquitetônicas, registros fotográficos e declarações das pró-reitorias com quantitativos noturnos.

Os recursos podem ser usados em reformas?

Não. A chamada não permite uso de recursos em reformas estruturais de grande porte.

Como funciona a classificação?

As propostas são pontuadas até 100 pontos, sem caráter eliminatório. Os critérios são demanda (40), vulnerabilidade socioeconômica (20), cobertura regional (25) e infraestrutura (15).

políticas de permanência estudantil educação de jovens e adultos bibliotecas comunitárias

Prof. Damião Sublime Andrade

Prof. Damião Sublime Andrade

Educador popular e articulador de bibliotecas comunitárias

Tira livro de caixa e leva leitura à periferia; conta o que a EJA ensina sobre ler.

Compartilhe

Continue aprendendo

Publicidade